Tratamento da Água

A água constitui um dos elementos fundamentais para a existência do homem. Suas funções no abastecimento público, industrial e agropecuário, na preservação da vida aquática, na recreação e no transporte demonstram essa importância vital.

É conveniente lembrar que, embora a água cubra aproximadamente três quartos da superfície da Terra, 97,4% é salgada, encontrando-se nos oceanos e 1,8% está congelada, localizando-se nas regiões polares; portanto, a água doce, disponível para a população do nosso planeta, representa apenas 0,8% e, mesmo assim, não se conhece bem qual é a fração que se encontra contaminada.

Essa contaminação, que vem ocorrendo ao longo dos anos, é causada pelo desenvolvimento industrial, pelo crescimento demográfico e pela ocupação do solo de forma intensa e acelerada; isto vem provocando o comprometimento dos recursos hídricos disponíveis para consumo humano, recreação e múltiplas atividades, aumentando consideravelmente o risco de doenças de transmissão e de origem hídrica.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 80% das doenças que ocorrem nos países em desenvolvimento são ocasionadas pela contaminação da água. Sabe-se também que, a cada ano, 15 milhões de crianças de 0 a 5 anos morrem direta ou indiretamente pela falta ou deficiência dos sistemas de abastecimento de águas e esgotos.

Somente 30% da população mundial tem garantia de água tratada, sendo que os 70% restantes dependem de poços e outras fontes de abastecimento passíveis de contaminação.

Identificamos no ambiente em que vivemos animais e vegetais apenas com o olhar. Contudo, convivem conosco, até dentro do nosso corpo, pequenos organismos ( microorganismos ) não visíveis a olho nu. Além deles, existem substâncias químicas tóxicas que só são identificadas através de análises especiais.

Entre os microorganismos, há os que são considerados patogênicos, ou seja, que causam doenças aos seres humanos, muitos destes microorganismos patogênicos têm na água o seu veículo transmissor.

Quando as fezes de pessoas ou animais portadores desses patogênicos entram em contato com a água é que se inicia o processo de transmissão hídrica.

Tradicionalmente, as doenças relacionadas com a água vêm sendo classificadas em dois grupos:

 

  • Doenças de transmissão hídrica: são aquelas em que a água atua como veículo do agente infeccioso. Os micoorganismos patogênicos atingem a água através das excretas de pessoas ou animais infectados, causando problemas principalmente no aparelho intestinal do homem. Essas doenças podem ser causadas por bactérias, fungos, vírus, protozoários e helmintos.

 

  • Doenças de origem hídrica: são aquelas causadas por determinadas substâncias químicas, orgânicas ou inorgânicas, presentes na água em concentrações inadequadas, em geral superiores às especificadas nos padrões para águas de consumo humano. Essas substâncias podem existir naturalmente no manancial ou resultarem da poluição. São exemplos de doenças de origem hídrica: o saturnismo provocado por excesso de chumbo na água – a metemoglobinemia em crianças – decorrente da ingestão de concentrações excessivas de nitrato, e outras doenças de efeitos a curto e longo prazo.

 

A água é um importante meio de transmissão hídrica, notadamente do aparelho intestinal. As principais doenças têm como agentes infecciosos os seguintes organismos:

 

  • Bactérias . cólera ( Vibrio colerae )

. febre tifóide ( Salmonella typhi )

. febre paratifóide ( Salmonella paratyphi )

. disenteria bacilar ( Shigella dysenteriae )

 

  • Protozoários . amebíase ( Entamoeba histolytica )

. disenteria amebiana

. giardiose ( geardia lamblia )

 

  • Verme . esquistossomose ( Schistosoma mansoni )

 

  • Vírus . hepatite infecciosa

 

O tratamento visa melhorar a qualidade da água para abastecimento, do ponto de vista higiênico, remove bactérias, elementos venenosos ou nocivos, mineralização excessiva, teores elevados de compostos orgânicos, esteticamente corrige a cor, turbidez, odor e sabor, economicamente reduz a corrosividade, dureza, ferro, manganês, etc.

 

Processos de Tratamento

 

 

1º) Floculação ( coagulação ): O sulfato de alumínio adicionado na água reage com a alcalinidade ( natural ou artificial ) da mesma e há a formação de flóculos que têm a propriedade de atrair as impurezas que a água possa conter.

 

2º) Decantação: os flóculos com as impurezas irão pesar e ir para o fundo dos decantadores.

 

3º) Filtração: alguma impureza ou flóculo que passar pela decantação ficará retida na areia dos filtros.

Com a passagem da água através do leito de areia verifica-se:

  • remoção de materiais em suspensão,
  • redução de bactérias presentes,
  • alteração das características da água, inclusive químicas.

 

4º) Desinfecção: a desinfecção da água é feita pelo cloro e por isso, o termo desinfecção é comumente substituído por cloração. O cloro por ser um agente desinfetante é capaz de destruir as bactérias patogênicas ( que causam doenças ). A cloração vai garantir a qualidade da água até o consumo e nos reservatórios evitando uma contaminação.

 

5º) Correção do pH: consiste em adicionar cal hidratada na água para elevar o pH até a faixa de 7,3 , dando alcalinidade na mesma para que ela não fique ácida.

 

6º) Fluoretação: o flúor é adicionado pois, ajuda na formação de dentes mais resistentes à cárie.

 

Todas as fases do tratamento são acompanhadas através de análises em laboratório de 2 em 2 horas.

O SAAE segue as normas de padrão de potabilidade exigidos pelo Ministério da Saúde através da Portaria 2914 de 12/2011. Inclusive conta também com laboratório próprio para serem feitas análises bacteriológicas.

 

  • Produtos químicos usados no tratamento: Cal hidratada (Cao), Sulfato de alumínio  (Al2(SO4)3), Cloro (Cl), Fluossilicato de Sódio  (Na2SiF6).

 

PROCESSOS DE TRATAMENTO

 

Veja abaixo uma figura que explica melhor este processo de tratamento da água:

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