ESGOTAMENTO SANITÁRIO

 

A palavra Esgoto é utilizada para caracterizar os despejos provenientes das diversas modalidades do uso e da origem das águas, tais como as de uso doméstico, comercial, industrial, as de utilidades públicas, de áreas agrícolas, de superfície, de infiltração e outros efluentes sanitários.

Os esgotos são classificados em 2 (dois) grupos principais: os esgotos sanitários e os industriais. Os primeiros são constituídos essencialmente de despejos domésticos, uma parcela de águas pluviais, água de infiltração, e eventualmente uma parcela não significativa de despejos industriais, tendo características bem definidas.

Os esgotos domésticos ou domiciliares provêm principalmente de residências, edifícios comerciais, instituições ou quaisquer edificações que contenham instalações de banheiros, lavanderias, cozinhas, ou qualquer dispositivo de utilização da água para fins domésticos. Compõem-se essencialmente da água de banho, urina, fezes, papel, restos de comida, sabão, detergentes e águas de lavagem.

Os esgotos industriais, extremamente diversos, provêm de qualquer utilização da água para fins industriais, e adquirem características próprias em função do processo industrial empregado. Assim sendo, cada indústria deverá ser considerada separadamente, uma vez que seus efluentes diferem até mesmo em processos industriais similares.

O lançamento indiscriminado de esgotos não tratados em rios, lagos e córregos provocam um sério desequilíbrio no ecossistema aquático. O esgoto doméstico, em seu processo de decomposição, consome oxigênio causando a mortalidade dos peixes. Os nutrientes (fósforo e nitrogênio) presentes nesses despejos, quando em altas concentrações, ainda causam a proliferação excessiva de algas, o que também contribui para o desequilíbrio do ecossistema local.

Além dos problemas ambientais citados anteriormente, a ausência do tratamento de esgoto ocasiona doenças (febre tifoide, paratifoide, cólera, amebíase, giardíase, leptospirose, hepatite A, etc.) que podem afetar pessoas de todas as idades, principalmente as crianças. Estas doenças são causadas por microrganismos patogênicos de origem entérica, animal ou humana, presentes em água contaminada.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 4,2 bilhões de pessoas no mundo não têm serviços de esgotamento sanitário gerenciados de forma segura, o que contribui diretamente para o aumento das doenças citadas anteriormente.

No município de Boa Esperança todo esgoto coletado é tratado (100%). A seguir encontram-se todas as fases do Sistema de Esgotamento Sanitário do município, desde a sua Coleta até o Tratamento.

 

1 – Coleta de Esgoto: O sistema de coleta de esgoto é do tipo separador absoluto, composto por redes de coleta, interceptores, estações elevatórias e emissário, que conduzem os esgotos em sua totalidade à Estação de Tratamento de Esgoto.

 

   Foto: Estação Elevatória de Esgoto da ETE

ESGOTO 1

 

2- Estação de Tratamento de Esgoto: A Estação de Tratamento de Esgoto de Boa Esperança é do tipo biológica, com tratamento à nível secundário. As descrições das etapas do tratamento encontram-se a seguir.

 

                        Foto: Estação de Tratamento de Esgoto

ESGOTO 2

 

2.1 – Gradeamento e Caixa de Areia: No gradeamento e na caixa de areia ocorrem a remoção dos sólidos grosseiros e areia presentes nos esgotos;

 

Foto: Gradeamento e Caixa de Areia

ESGOTO 3

 

2.2 – Reatores Anaeróbios (UASB): Os reatores anaeróbios têm por finalidade efetuar o tratamento primário dos esgotos e a estabilização dos lodos sedimentados no fundo dos mesmos. Em geral eles realizam a decomposição da matéria orgânica presente nos esgotos;

 

Foto: Reatores Anaeróbios (UASB)

ESGOTO 4

 

2.3 – Filtros Biológicos Percoladores: Os filtros biológicos percoladores têm como finalidade efetuar o tratamento secundário dos esgotos. Eles compreendem, basicamente, leitos de materiais grosseiros (pedras), sobre os quais os esgotos são aplicados sob a forma de jatos. São sistemas aeróbios, onde o ar circula nos espaços vazios entre as pedras, fornecendo oxigênio para a respiração dos micro-organismos. A matéria orgânica ainda presente nos esgotos é adsorvida pela película microbiana, ficando retida um tempo suficiente para a sua estabilização;

 

Foto: Filtro Biológico Percolador

ESGOTO 5

 

2.4 – Decantadores Secundários: Os decantadores secundários também têm como finalidade efetuar o tratamento secundário dos esgotos. Nesta etapa do processo, ocorre a separação dos sólidos sedimentáveis ainda presentes nos esgotos, por meio da gravidade. Os sólidos sedimentam no fundo dos decantadores de onde acabam sendo removidos como lodo, enquanto os efluentes, livres dos sólidos, decantam pelo vertedouro.

 

Foto: Decantador Secundário

ESGOTO 6

 

2.5 – O gás metano (CH4), gerado durante o processo de Tratamento de Esgoto, é queimado através de 2 (dois) queimadores de gases;

 

Foto: Queimador de Gás Metano

ESGOTO 7

 

2.6 – O lodo produzido durante o Tratamento é desidratado e encaminhado para um Aterro Sanitário.

 

Foto: Desidratação do Lodo

ESGOTO 8

 

Todas as fases do tratamento são acompanhadas através de análises periódicas, em Laboratório de Controle de Qualidade do SAAE. O SAAE segue os Padrões de Lançamento de Efluentes exigidos pelas Resolução CONAMA n° 357, de 17 de março de 2005; Deliberação Normativa Conjunta COPAM/CERHMG n° 1, de 05 de maio de 2008 e; Resolução CONAMA n° 430, de 13 de maio de 2011.

 

Segue o Fluxograma do Tratamento realizado na Estação de Tratamento de Esgoto.

 

ESGOTO 9

Fonte: Diagnóstico do Plano Municipal de Saneamento Básico de Boa Esperança (2019, no prelo).